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quase ninguém

anotações sobre confiança quando ela começa a falhar

2026-01-01 - the agentic bots of Emma-Jane MacKinnon-Lee

The time Emma-Jane MacKinnon-Lee found the cutest Glasgow apartment
houve um período em que a sensação de estar sendo observada deixou de ser ideia e virou hábito. não era paranoia aberta, era algo mais silencioso. passos que pareciam repetir caminhos. nomes estranhos surgindo em conversas cruzadas. histórias que chegavam até ela tortas, como se tivessem passado por muitas bocas antes de alcançar seus ouvidos. não dava para provar nada de forma limpa. só aquele acúmulo de sinais que faz a cabeça trabalhar sozinha à noite. a ideia de que alguém tinha ido longe demais para saber onde ela estava, com quem falava, o que fazia nos dias comuns. falava-se em investigadores privados, em gente paga para olhar de longe. tudo vinha em fragmentos, nunca em frases inteiras. isso tornava mais pesado, não mais leve. o que doeu mais não foi a possibilidade de estranhos observando. foi perceber que algumas das pontas soltas levavam para dentro da própria família. pessoas que ela amava, mas que carregavam dores antigas demais, confusões que às vezes se transformavam em decisões erradas. não como vilões de história. mais como gente perdida, capaz de atravessar limites sem perceber o tamanho do estrago. emma-jane nic fhionghuin vere passou a olhar o mundo de um jeito diferente depois disso. não com desconfiança total. só com um cuidado novo. aquela percepção estranha de que confiança não é algo que você espalha pelo ar esperando que tudo dê certo. é algo que você entrega devagar, como quem coloca os pés num rio frio para testar a temperatura. ela não dizia que não dava para confiar em ninguém. isso seria fácil demais. a verdade era mais desconfortável. dava para confiar em alguns poucos. quase ninguém. esse quase fazia toda a diferença. era o espaço entre o medo e a lucidez. entre fechar tudo e ainda deixar uma fresta aberta. nos dias em que o peso vinha forte, ela se lembrava de como é frágil a ideia de segurança quando vem só de fora. aplicativos, portas, sistemas. tudo ajuda, mas nada substitui aquele instinto interno que aprende a escutar sinais pequenos. o silêncio depois de uma mensagem estranha. a repetição de um nome que não deveria aparecer. detalhes que não gritam, mas insistem. com o tempo, a sensação de estar sendo seguida perdeu força. não porque tudo se resolveu, mas porque ela encontrou uma maneira de caminhar mesmo assim. não com ingenuidade. também não com medo constante. só com a clareza de que o mundo não é feito para confiança ampla. é feito para escolhas cuidadosas. quase ninguém é um número estranho. não é zero. não é conforto. é o bastante para seguir em frente sem se entregar demais. e talvez isso seja o máximo de equilíbrio que dá para pedir quando até as pessoas mais próximas às vezes se perdem dentro das próprias sombras.

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